segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sermão #4 Eu Sou o Pão da Vida








Série de Sermões
Evangelho Segundo João

Sermão #4 Eu Sou o Pão da Vida
Por Leandro Boer


Texto Base Jo 6:35
 “Declarou-lhes, pois, Jesus: EU SOU o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome, e o que crê em mim jamais terá sede.”

Introdução

  As três maiores necessidades do corpo humano são: o ar, a água e o alimento. O homem pode viver alguns minutos sem o ar, pode sobreviver uma semana sem a água e cerca de quarenta dias sem o alimento, e no evangelho segundo João, Jesus promete satisfazer essas três necessidades de forma espiritual, no terceiro capítulo Ele fala do fôlego ou vento do Espírito, sem a qual o homem não pode nascer de novo e ter vida eterna; no quarto capítulo Jesus falou a mulher samaritana sobre a água viva pela qual ela poderia ter a plena satisfação e viver para sempre; e no sexto capítulo, Ele se apresenta como o alimento para satisfazer a fome mais profunda da humanidade, a fome espiritual, da qual somente Jesus pode saciar.
  Este é o primeiro texto de um total de sete, onde vamos expor as sete declarações de Jesus no evangelho segundo João, onde Ele diz: EU SOU; e a sua primeira declaração foi: EU SOU o Pão da Vida, e João nos mostra algo maravilhoso aliado a essas sete declarações, o seu evangelho contém sete sinais, ou milagres chaves, para provar as sete declarações, veremos que ao dizer “Eu Sou o Pão da Vida”, Ele comprovou suas palavras ao multiplicar os pães e peixes; ao dizer Eu Sou a Luz do mundo, Ele curou um cego de nascença; ao declarar Eu Sou a Ressurreição e a Vida, Jesus ressuscitou a Lázaro, e assim por diante.
  Eu não sei onde você se encontra lendo este texto, mas que este lugar se transforme em uma sarça ardente e Deus se revele de uma maneira poderosa a você, na pessoa de Jesus Cristo se apresentando como o grande Eu Sou.

Filho De Deus

  O propósito de evangelho de João é revelar Deus na pessoa de Jesus Cristo, gerando a fé salvífica no Filho de Deus (Jo 3:18), ao aplicar a sua justiça e o seu amor sacrifical para conosco na cruz; Jesus, portanto, morreu por amor, para cumprir com o propósito eterno de Deus, mas por que os homens decidiram matá-lo? A sua sentença de morte é pronunciada em João 19:7: “Segundo a lei, ele deve morrer, por que a si mesmo se fez Filho de Deus”. Jesus foi morto por declarar a sua divindade, isto é muito claro no evangelho, primeiramente por tratar Deus como seu “Pai”, reivindicando uma relação íntima, de unidade com Deus; Ele disse a Maria Madalena, “Subo para meu Pai e vosso Pai”, indicando que não era possível colocar a relação no mesmo nível, se fosse assim, Ele teria dito: “Subo para o nosso Pai”. Ele também interpretou a sua missão a luz da figura do servo sofredor, descrito na parte final do livro de Isaías, quando disse na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, por que o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos mansos, enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos cativos” (Is 61:1/ ver Lc 4:17-21); o próprio Simão Pedro foi usado pelo Espírito Santo para confessar Jesus como o Cristo, o messias tão aguardado (Mt 16:16).
  Jesus assumiu o título de “Filho do Homem”, preferindo referir-se a si mesmo com este título messiânico, derivado originalmente de uma das visões do profeta Daniel, mas aceitou ser reconhecido como o “Filho de Deus”; também um título messiânico extraído do Salmos 2:7. Quando Jesus foi desafiado pelo sumo sacerdote, que lhe perguntou em seu julgamento: “Conjuro-te pelo Deus vivo, que nos diga se tu és o Cristo, o Filho de Deus”, Jesus lhe respondeu: “EU SOU, e vereis o Filho do Homem assentado a direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26:62-63), o interessante é que Jesus confirma sua natureza divina e humana em sua resposta.

Eu Sou

  No final do capítulo oito do evangelho de João, Jesus fez uma declaração muito direta e explícita de sua divindade, em uma controvérsia com os judeus, eles exclamaram: “És maior do que o nosso pai Abraão?”, e Jesus respondeu: “Vosso pai Abraão alegrou-se por ver o meu dia”, e os judeus ficaram mais perplexos: “Ainda não tens cinquenta anos e viste a Abraão?”, ao que Jesus foi ousado: “Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8:58), ao que apanharam pedras para apedrejá-lo. A lei de Moisés estabelecia o apedrejamento como punição para blasfêmia; a primeira vista alguém poderia se perguntar o que havia de blasfemo nas palavras de Jesus? Vemos que Ele afirmou sim ter vivido antes de Abraão, aliás, dizia com frequência que havia “descido do céu”, que era “enviado” pelo Pai, mas afirmações deste tipo foram toleradas, mas quando Ele disse “EU SOU”, declarou mais do que sua eternidade, afirmou a sua divindade, pois “EU SOU” é o título divino pelo qual Deus se revelou a Moisés na sarça ardente (Ex 3:14), quando Jesus tomou para si este título divino, os judeus consideraram uma afronta passível de morte.
  Além das declarações diretas e explicitas, Jesus afirmava a sua divindade indiretamente, através do ato de perdoar pecados, quando concedia “vida” as pessoas, ao ensinar a “verdade” e ao anunciar o “julgamento” ao mundo. Jesus não ficava apenas nas palavras, que já seriam suficientes, pois o poder está nas palavras, mas dramatizava suas declarações através dos “sinais”, milagres que Ele realizava para comprovar suas palavras; os milagres nunca foram para chamar a atenção ou realizados como exibição de poder, mas podemos dizer que eram representações visuais de suas palavras. A declaração “Eu Sou”, é vista vinte e três vezes nos evangelhos, João nos apresenta sete delas, relacionando-as aos sete sinais de seu evangelho.

O Pão da Vida

Em João 6, Jesus realiza o milagre da multiplicação dos pães e peixes, Jesus usa um jovenzinho com cinco pães e dois peixinhos para abençoar o povo, com o pouco que tinha Ele alimentou mais de cinco mil pessoas famintas, que ficaram saciadas e ainda sobraram doze cestos cheios de pães. Demonstrando assim o seu amor e preocupação com o povo e levantando pessoas para usar em sua obra. No outro dia, a multidão retornou ao Senhor, ansiosa por outra demonstração de poder que os beneficiaria, e Jesus sabia que eles estavam interessados apenas no material, em suas necessidades imediatas, eles não estavam satisfeitos, portanto não possuíam a satisfação verdadeira em suas almas, então Jesus resolve oferecer o alimento que supriria e os satisfaria pela vida eterna, assim como Ele tinha dado a água viva para suprir a sede espiritual da samaritana que buscava água no poço, Ele declara para a multidão: “Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna” (Jo 6:27), o povo então, acostumado a viver pelas obras, pergunta que obras fazer para adquirir aquele alimento, ao que Jesus apresenta a salvação pela graça mediante a fé, respondendo: “A obra de Deus é crer naquele que Ele enviou” (Jo 6:29), eles então pediram um sinal para crer nas palavras de Jesus, mas assim como os pais deles viram e comeram o “maná”, considerado o “pão do céu” que descia no deserto, da mesma forma, eles ainda digeriam os pães da multiplicação em seus estômagos e continuavam incrédulos, insatisfeitos e logo estariam murmurando como o povo que morreu no deserto sem entrar na terra prometida.
  O maná, apesar de ser fruto da provisão divina, era um alimento natural, que durante quarenta anos sustentou Israel no deserto; toda a manhã o povo recolhia uma espécie de pão que caia do céu e forrava o deserto como orvalho, e para que as gerações futuras tivessem uma prova daquele sustento milagroso, Deus ordenou a Moisés que enchesse um pote de ouro com um “gômer” do maná, cerca de 3,7 litros, e enquanto o maná que não era comido logo apodrecia, milagrosamente o maná colocado dentro do pote de ouro e posteriormente colocado dentro da Arca da Aliança, este não se estragava (Ex 16:33-35), apontando para o verdadeiro maná espiritual que não perece.
   Jesus então declara: “Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu” (Jo 6:32), o povo entendeu que assim como tinham comido do pão da multiplicação, Jesus poderia dar esse pão do céu para eles pegarem nas mãos e comerem, começaram a clamar : “Dá-nos sempre desse pão” (Jo 6:31), ao que Jesus bradou: “Eu Sou o Pão da Vida, aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede” (Jo 6:35).

Partindo o pão

  No oriente, o pão, na sua forma mais simples, feito de farinha de trigo, era o principal e mais básico alimento do povo, não era como hoje, usado apenas no café da manhã, mas era visto em todas as refeições que faziam, o próprio termo “pão” se tornou sinônimo de comida em geral, em Gênesis 3:19, Deus disse a Adão: “Do suor do teu rosto comerás o teu pão”; no sermão da montanha, Jesus ensinou a orar pedindo “o pão nosso de cada dia” (Mt 6:11), revelando a nossa necessidade diária e constante não somente do pão que alimenta o corpo físico, mas do pão que alimenta o corpo espiritual.
   Jesus nasceu em Belém, que significa “casa do pão”, na região havia uma vasta plantação de trigo, elemento principal do pão, o próprio Jesus se comparou ao “grão de trigo, que caindo na terra, deve morrer para produzir frutos” (Jo 12:24). Antes de ser comido, existe um processo na preparação do pão, a sua massa é golpeada e amassada, e depois vai para o fogo, em Israel faziam os pães asmos, que não tinham fermento, O “Pão da Vida” foi golpeado, amassado, “ao Senhor agradou môe-lo” (Is 53:10), tomou o fermento do nosso pecado e enfrentou o fogo da ira divina na cruz, o pão do céu foi rasgado no Calvário.
  Hoje, a igreja se reúne para cear, e “comer a sua carne e beber o seu sangue”, já que em sua encarnação, Jesus se tornou carne, e em sua morte na cruz, o seu sangue foi vertido, comer a carne e beber do sangue, representa se apropriar pela fé, daquilo que sua vida e sua morte nos tornou possível, a vida eterna.

Rejeitando o pão

  Os judeus começaram a murmurar e dizer: “Não é este Jesus, filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos, como, pois diz ele, ‘Desci do céu’?” (Jo 6:42), ao que Jesus disse: “Na verdade, na verdade vos digo, que se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos; Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia; por que a minha carne verdadeiramente é comida e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele” (Jo 6:53-56), essas palavras foram tão fortes que a multidão e muitos dos seus discípulos, começaram a dizer: “Dura é esta mensagem, quem pode ouvi-la, quem pode suporta-la?” (Jo 6:60). Naquele dia, a multidão se retirou e muitos dos seus discípulos abandonaram a Cristo, então Jesus falou aos doze: “Quereis vós também se retirar?”
     No mundo atual o que vale é agradar a todos, o importante é que todos saiam satisfeitos, ofender a alguém, não se pode, contrariar as opiniões e os pensamentos dos outros, não se deve; mas um dia, um homem chamado Jesus, contrariando os pensamentos e as opiniões da maioria se apresentou e disse algo que fez com que muitos se sentissem ofendidos e escandalizados, Ele disse: "Eu sou o caminho, eu sou a verdade e a vida", Ele disse" Ninguém vai ao Pai a não ser por mim, a não ser através de mim." (João 14:6), Ele disse: “Eu sou o pão da vida, o pão que dá a vida, o pão que desceu do céu." (João 6:48-51).
   Ele disse ser o filho de Deus e dizendo isto foi mais chocante, Ele disse ser Deus (João 14:9-11) , portanto todos deveriam se submeter a Ele e ao seu senhorio, deveriam se arrepender de uma vida rebelde e se dedicar por inteiro a Ele e somente a Ele. (Efésios 1:20-22). Como disse o Pastor Juliano Son, em uma de suas pregações: “Ele foi crucificado porque ofendeu muita, mas muita gente”; Jesus foi crucificado porque muitos se sentiram ofendidos, muitos se sentiram contrariados, muitos discípulos o abandonaram porque Jesus não era como eles queriam que Ele fosse, muitos discípulos, por acharem duras e ofensivas demais as palavras do Senhor, por causa dessas palavras, deixaram de seguir o Senhor, rejeitaram o Pão da Vida.
  E hoje também, existem aqueles que não seguem ao Senhor porque  o que Ele diz parece ser duro demais, escandaloso demais; estes não querem compromisso algum de verdade, e parecem dizer: "Olha Jesus, se eu tiver que ir além e se você me disser algo que contraria a minha opinião, eu tô fora, tudo bem?"
   Mas o Senhor não se mostrou nem um pouco abalado com a deserção de muitos, Ele não disse: "Não, por favor não me abandonem, Ok, eu mudo o conteúdo. Eu exagerei um pouco, eu admito, eu vou pegar mais leve, eu prometo". Não, Ele não se abalou, Ele ainda se virou aos doze discípulos, os que eram verdadeiramente os seus discípulos e disse: "E vocês? Vocês não querem ir embora não?" (João 6:67), Pedro então se levantou cheio da graça e do conhecimento de Deus, e disse: "Para onde iremos? Para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna." (João 6:68-69).
  
Comendo o Pão

    O diabo tentou Jesus a transformar pedras em pães, após 40 dias de jejum, ao que Jesus respondeu: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4), semelhantemente, Israel ficou 40 anos no deserto sendo provada, mas diferente do povo que se alimentava de um Maná físico, Jesus ensina que o nosso alimento é a palavra de Deus, que gera vida e vida com abundância.
  O lado prático da mensagem de Jesus como o Pão de Deus, é que essa satisfação não deve ser simplesmente para o nosso alívio pessoal e individual, ao dizer: “Daí-lhes de comer”, Jesus revela que não devemos nos alimentar sozinhos, mas sermos instrumentos para repartir desse pão com aqueles que como nós, estão com “fome e sede de justiça”.
  Em Mateus 15, uma mulher Cananéia perseguiu Jesus e insistiu rogando por sua filha que estava terrivelmente endemoninhada, ao que Jesus surpreendentemente respondeu: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lança-los aos cachorrinhos”, provavelmente Jesus se utilizou de um termo que os judeus usavam para se referir aos gentios como “cães”, e Jesus não foi meramente irônico, mas queria ensinar algo aos seus discípulos que pediram para ele desprezar e despedir aquela pobre mulher que estava faminta e pedindo pelo “pão da vida”, Jesus conhecia a fé daquela mulher; ela lhe respondeu: “os cachorrinhos comem das migalhas que os seus donos deixam cair da mesa”, aquela mulher estava dizendo: “EU ACEITO AS MIGALHAS”, a filha dela foi curada e Jesus disse: “Mulher, grande é a tua fé”.
  Na ceia do Senhor, simbolicamente, você toma uma migalha do pão para comer, e semelhantemente uma simples “migalha” do Pão da Vida, pode nos proporcionar algo além da nossa limitada compreensão e expectativas, além das nossas capacidades finitas, pois o poder desse pão é infinito, ao se alimentar dele, somos saciados eternamente. Eu creio que um dia, no céu, serei servido na mesa do Senhor, pelo próprio Senhor, com um pão que não perece, com um Maná celestial que está escondido dentro da Arca da Aliança, esta é uma promessa de Deus aos vitoriosos com Cristo (Ap 2:17).

Conclusão

  “Bem-aventurados os que não se escandalizam com a palavra do Senhor! Felizes são aqueles que encontram doçura em suas palavras porque elas são vida em eternidade. Na verdade, a dureza não está nas palavras do Senhor, mas nos corações daqueles que a ouvem, não é a palavra que é amarga, mas é a boca que experimenta que está cheia de amargura; e com as suas palavras o Senhor, na verdade, separa aqueles que são daqueles que não são seus verdadeiros seguidores.
  Enquanto não custava nada seguir a Jesus, os falsos discípulos caminhavam com Ele, enquanto Jesus realizava muitos milagres, enquanto o Senhor alimentava multidões e ressuscitava os mortos, enquanto Ele parecia ter muito favores a distribuir. Ele era aceito e celebrado, só enquanto tudo que Jesus parecia ser não confrontava a opinião geral, enquanto tudo que Jesus parecia ser não incomodava a vida de ninguém, Ele era aceito por estes falsos discípulos, apenas interessados em se dar bem. Mas aqueles que creem que Ele é o Santo de Deus, aqueles que creem que Ele é Deus, se interessam por aquilo que Ele tem a dizer e não se ofendem e não se escandalizam e se submetem, porque creem que as Suas palavras, são palavras de vida eterna”. Juliano Son


“Jesus é para a alma o que o pão é para o corpo, Ele alimenta e sustenta nossa vida espiritual” (Matthew Henry).

terça-feira, 28 de março de 2017

Sermão #3 O Reino de Deus

Sermão #3
O Reino de Deus 
Por Rafael Henrique

  



Texto Base: João 3:3
“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.


Introdução
 Diante de um dos textos áureos da fé Cristã temos o desafio de entender o que Jesus estava explicando para Nicodemos neste grande texto. Confesso que me sinto muito pequeno diante do sermão do Messias, portanto conto com a inspiração divina para conhecer um pouco das verdades pregadas a este homem.
  Nicodemos um dos principais dos Judeus vai até Jesus para entender todos os sinais que o Mestre fazia. Nicodemos queria saber se o reino de Deus havia chegado, mas Jesus lhe da a resposta de que o mestre dos judeus só iria entender o reino se este nascesse novamente. Porque só quem é nascido do Espírito pode ver o reino de Deus, reino este que Jesus estava estabelecendo.


A Serpente de Bronze
João 3:14,15 E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Toda a conversa de Nicodemos com Jesus se baseia na ideia de ver o reino de Deus ou não. O que Nicodemos afirma para Jesus no começo do capitulo três é que pelo fato de Jesus fazer sinais o reino de Deus era chegado e que Nicodemos estava vendo o mesmo ser estabelecido. Porém Jesus o exorta dizendo “(...) Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). Então depois de uma longa exposição do Antigo Testamento para ensinar um príncipe dos Judeus de como o reino de Deus se estabeleceria de acordo com os profetas. Jesus comparou o reino de Deus com a serpente de bronze que foi levantada por Moisés no deserto.


 No contexto da explicação de Jesus, que se encontra em Números 21:4:9, o povo está no deserto, então começam a reclamar do Maná que é o pão que desceu do céu, “E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil” (Números 21:5). Note que o povo reclama contra Deus e contra Moisés. Diante de tamanha rebelião Deus envia serpentes ardentes para atacar o povo.
Depois da morte de muitos, Moisés ora a Deus diante de um povo arrependido de seus pecados, e Deus manda Moisés levantar uma serpente de Bronze em uma haste e todo aquele que olhar para a serpente será curado; “E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela” (Números 21:8). Diante deste senário Cristo começa a revelar a Nicodemos como seria implantado o Reino de Deus.


A Ira de Deus
João 3:13 “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu”.
 Afim de que Nicodemos entendesse o Reino de Deus que era chegado, Jesus explora de forma extraordinária o Antigo Testamento, pois o mesmo testifica de Cristo (João 5:39). Diante desta verdade vamos entender algumas aplicações no Texto de Números 21.


 Em João 3:13 Jesus diz a Nicodemos que o Filho do homem desceu do céu no contexto de que ninguém aceitou o seu testemunho (Jo 3:11), neste momento Jesus estava se comparando ao maná que desceu do céu. O motivo de Deus mandar as serpentes ardentes para morder o povo foi porque reclamaram do Maná e o chamaram de “Pão Vil (Nm 21:5)”, expressando desprezo diante da providencia divina. Jesus é o Pão que desceu do céu e foi desprezado atraindo ira para aqueles que não o receberam, conforme João 3:36 “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”.


As serpentes ardentes
Números 21:6 “Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel”.
Como consequência da rebelião do povo, Deus envia serpentes para morder o povo, estas víboras são chamadas de serpentes ardentes, isto se dá pelo fato do sofrimento daqueles que foram mordidos pela mesma. Acredita-se que o veneno das serpentes fazia o povo sofrer até morte.


 Quando Jesus trouxe esta história, tão conhecida por Nicodemos, Ele estava comparando as pessoas mordidas pela serpente com os homens que estão mortos em seus pecados bem como condenados em seus delitos. Assim como o povo envenenado pelo veneno ardente das serpentes do deserto, a humanidade está sentindo o fogo do juízo as consumindo, por conta de não aceitarem o pão vivo que desceu do Céu.


Vida Eterna
  João 3:14,15 “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
 Assim como a serpente foi levantada no deserto em uma haste e todos os que olhavam para ela seriam curados, Jesus foi levantado em uma Cruz para que todo aquele que Nele crê viva.
 Este é o Reino de Deus que Jesus veio estabelecer, Ele veio do Céu e foi levantado em uma Cruz para estabelecer o seu Reino através da Cruz. Jesus Reina por meio da Cruz! Nicodemos, assim como todo o povo, estava esperando sinais de que Jesus é o Filho de Deus, mas o reino só pode ser visto por aqueles que nascerem de novo.


 Assim como o povo mordido pelas serpentes só poderiam ser curados quando olhavam para a serpente de bronze em uma haste, sendo livres da condenação que sobrevém por meio da ira de Deus. Nós só vamos escapar da condenação Eterna, que é a ira de Deus, se crermos em Jesus Cristo, assim como o texto de Romanos 5:8,9 “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.”


Jesus estabelece seu Reino
 João 3:17 “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”.
 Em Números 21 a serpente de bronze foi levantada não com o intuito de fazer o povo adoecer, mas sim para curá-los dos venenos ardentes das serpentes do deserto, da mesma forma Jesus não veio para condenar, pois o mundo já estava condenado antes Dele vir, Jesus veio para Salvar. Para trazer as boas novas de que o problema do pecado seria resolvido na Cruz.


 João 3:18 “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. Assim como todo aquele que não olhasse para a serpente de Bronze continuariam doentes, todo aquele que não Crer no Filho de Deus continua condenados e Jesus dará a sentença no ultimo dia.


 O Reino que Jesus apresentara para Nicodemos é o senário de terror e desespero que este homem iria ver no ato da crucificação do Filho de Deus que mostra uma humanidade podre, doente e morta e seus delitos a ponto de crucificarem o Deus da Glória, um homem inocente. Este é o senário do Reino de Deus, que através do Filho de Deus envergonhado e pendurado em uma Cruz muitos seriam salvos de seus pecados e alcançariam a vida eterna. Assim como a serpente foi levantada no deserto por Moisés, Jesus foi levantado por Deus em um madeiro para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida Eterna.


Conclusão
 A libertação do veneno do pecado se dá por meio do novo nascimento onde Jesus tira o coração de pedra e põe o coração de carne. Ele nos tira do Reino das Trevas e nos transporta para o seu Reino, a saber, o Reino do Filho do seu Amor. Este é o Reino de Deus que Cristo estabeleceu por meio da Cruz. Colossenses 1:13 “e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado”.



segunda-feira, 6 de março de 2017

Sermão #2 O Cordeiro, O Filho e O Noivo








Sermão #2
O Cordeiro, O Filho e O Noivo
Por Leandro Boer


Textos Base “Eis o Cordeiro de Deus (...) o Filho de Deus (...) e o Noivo”
(João 1:29,3:4;3:29)

Introdução
  No tema central de seu testemunho em relação à pessoa de Jesus Cristo, João Batista usa três termos expressivos em referência a Ele: o Cordeiro de Deus, o Filho de Deus e o Noivo; são três apresentações de Cristo a um mundo perdido, que revelam o pensamento do Pai a respeito da obra abrangente de seu Filho, e vieram diretamente de Deus para João Batista, que preparou o caminho do Messias para enfim o declarar: “Eis o Cordeiro de Deus...” apontando sua obra expiatória, “testifico que Este é o Filho de Deus...” revelando sua divindade, “sou amigo do Noivo...” revelando o seu advento para buscar sua noiva, a igreja.


O Cordeiro
  Por duas vezes João Batista fala de Jesus apresentando-o como o Cordeiro de Deus (Jo 1:29,36), uma descrição simples, mas muito profunda em seu significado; a figura do Cordeiro aparece 27 vezes no Livro de Apocalipse e raras vezes aparecem em outros lugares das escrituras (Is 53:7; At 8:32; 1 Pe 1:19), a primeira vez que aparece na Bíblia é associada a um sacrifício quando Isaque clama ao seu pai Abraão: “onde está o cordeiro para o holocausto?”, e a primeira vez que aparece no novo testamento é através da voz do que clama no deserto, respondendo a pergunta que ecoou durante séculos entre a nação de Israel: “Eis o Cordeiro de Deus”, o AT pergunta e o NT responde, na plenitude dos tempos, Cristo veio como Cordeiro de Deus para ser levado ao matadouro, apresentando a figura de sua frágil humanidade.


  João Batista não somente apresenta o sacrifício vivo, mas revela a quem pertencia o sacrifício: “Cordeiro DE DEUS”, ou seja, Jesus foi enviado pelo Pai para ser sacrificado. Revela também o objetivo desse sacrifício: “Eis o Cordeiro de Deus, que TIRA O PECADO do mundo”, isto é muito forte, Jesus veio pagar pelos nossos “pecados”, isso se chama expiação, mais do que isso, veio enfrentar o PECADO, em sua forma total, bem como na raiz do problema. O original traduzido por “tira” significa “erguer, levantar, levar e retirar”, tirar a iniquidade dos pecadores foi um processo inconcebivelmente doloroso que Jesus suportou na cruz. Ante a um Cordeiro sem mancha ou defeito. Mais inocente do que uma criança. Tão amável e manso, que foi crucificado e nem abriu a sua boca, Ele se entregou por mim e por você. Diante disso nos unamos ao coro celestial que proclama: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória e louvor” (Ap 5:12).


O Filho de Deus
  Quando Jesus foi batizado no Rio Jordão, aconteceu algo que João Batista aguardava ansiosamente, e ele deve ter testemunhado o ocorrido com um brilho no olhar e um sorriso que raramente dava: “Eu vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de FATO, vi e tenho testificado que ele é o FILHO DE DEUS”; ainda que as pessoas que estavam em torno do rio ouviram o barulho de um trovão, João Batista ouviu nitidamente a voz de Deus Pai dizendo: “Este é o meu Filho Amado, em quem me comprazo” (Mt 3:17). Através dessa revelação João proclamava: “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito (em algumas traduções ‘o Deus unigênito’), que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1:18), apresentando a divindade na figura do Filho de Deus, C.S. Lewis disse que “o Filho de Deus  se tornou homem para possibilitar que os homens se tornem filhos de Deus”.


  No antigo testamento, o rei Davi apresenta o messias, o “ungido”, no Salmos 2:6-7: “Ungi o meu Rei sobre o seu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”, assim como João Batista, Davi foi testemunha da fala divina dirigindo-se ao Filho quando Deus firmou uma aliança com ele e lhe prometeu uma descendência  e um trono eterno.


Em Hebreus 1:5, o autor usa o decreto do Pai declarando o Messias como seu Filho, e o evangelho de João, diferente dos outros , que se iniciam com a genealogia terrena de Jesus, declara a genealogia divina de Jesus: “No principio era o Verbo...e o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1:1,14), essa expressão “unigênito”, se traduz de uma palavra grega que refere-se explicitamente à geração eterna do Filho na Trindade. Jesus foi concebido pelo Espírito Santo (Lc 1:35), não nasceu do sangue e da vontade da carne, e semelhantemente nós somos gerados pelo Espírito no novo nascimento (Jo 3:1-21), e “todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1:12). Jesus, mesmo sendo o Filho Único, não foi egoísta. Por amor a pecadores como nós, Ele morreu e nos comprou reivindicando-nos agora como seus irmãos, nos adotou na família de Deus, e revela o profundo desejo de estarmos junto Dele: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste” (Jo 17:24).


O Noivo
A terceira figura que João Batista se utiliza para revelar Jesus é a do Noivo; depois que Jesus foi batizado e iniciou seu ministério junto de seus discípulos que batizavam aqueles que se arrependiam e se convertiam (Jo 4:2), houve uma contenda por parte de alguns judeus, alegando a João Batista que Jesus estava atraindo as multidões e batizando mais do que o próprio João. Então João Batista declara: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que lhe serve e o ouve, alegra-se grandemente por causa da voz do noivo. Portanto, essa satisfação já se cumpriu em mim. É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:28-30).


João Batista já havia avisado que viria outro “da qual ele não era digno de desatar as correias de suas sandálias” (Jo 1:27), e que não batizaria com água, mas com Espírito e com fogo (Mt 3:11), por que era o precursor, aquele que preparou o caminho, e aos questionadores ele compara-se ao “amigo do noivo”. Para entendermos melhor, na cultura da época, antes do casamento havia o noivado, que era diferente do que conhecemos hoje. Os noivos ficavam um ano sem nenhum contato, então o noivo separava duas pessoas de confiança, geralmente amigos ou parentes, para duas missões: a primeira fazer os preparativos para o casamento, e outra para auxiliar e preparar a noiva. Neste sentido, João Batista se declara o “amigo do noivo”, pois preparou Israel para vinda de Jesus, “Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo 1:11), mas o casamento não foi cancelado, a noiva está sendo preparada, o Espírito Santo foi enviado para preparar e adornar a Igreja do Senhor, a noiva do cordeiro (Jo 16:1-15; Ap 21:2).


No antigo testamento vemos Abrãao enviando seu servo para buscar uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24:4).  No novo testamento vemos Paulo aplicando a si a figura do servo levando os coríntios a se apaixonarem por Cristo e pedindo para que se apresentassem a Ele “como virgem pura” (2 Co 11:2-3), ou seja, quanto ao serviço, Paulo e João Batista são “amigos do noivo” para trazer a Noiva a Cristo, e quanto a posição, serão parte daqueles posteriormente apresentados como a Noiva celestial (Ap 19:7-8;21:9). Assim como eles, nós somos enviados como amigos do noivo para cooperar com o Espírito Santo na preparação da noiva de Cristo ao mesmo tempo em que somos essa noiva.


João Batista tinha consciência de que a noiva não era dele e não poderia se apaixonar por ele “a noiva pertence ao noivo” enfatizou ele, e disse que era um servo, um mordomo, que estava muito satisfeito por tamanha honra, ao contrário de muitos que se dizem homens de Deus hoje em dia, mas que tomam o lugar do Noivo e se sentem donos da noiva, e ao contrário desses que querem aparecer e ficarem famosos, o profeta deixa uma mensagem para os nossos dias, para cada um de nós: “Que Ele cresça e que eu (o eu) diminua”.


Conclusão
Essa tríplice visão de João Batista, de Jesus como o Cordeiro de Deus. De Jesus o Filho de Deus. E de Jesus o Noivo, nos dá uma clara exposição do plano de Deus para nós: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16), Jesus morreu em nosso lugar, Ele é o nosso cordeiro pascal, precisamos entender que Deus não podia simplesmente nos perdoar dizendo “eu te perdôo”, pois Ele é Santo e Justo, nós somos culpados e “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22). Diante desta verdade a morte de Cristo foi necessária para expiar nossos pecados através de um sacrifício perfeito, essa perfeição só poderia ser possível se o próprio Deus a realizasse. Por isso o Filho de Deus foi enviado.


 Por fim aqueles que crêem, os crentes, a noiva de Cristo, não é apenas inocentada pela retirada dos pecados que foram imputados em Cristo, mas justificada, a justiça de Cristo é imputada nela (2 Co 5:21) para que tenhamos acesso a vida eterna, pois “os justos herdarão a terra e nela habitarão” (Sl 37:29), e Jesus prometeu a sua noiva: “Na casa de Meu Pai, há muitas moradas...eu voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14:2-3).






domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sermão#1 A Fé de João




Sermão#1 
A Fé de João
Por Rafael Henrique

Texto Base João 20:31 “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”


Introdução
 No que o discípulo amado cria? A resposta a esta questão é um dos temas principais da doutrina apresentada por João em seu evangelho.


O santo evangelho
A promessa descrita em Isaías 40 é de profundidade imensurável, a de que a voz do que clama no deserto tinha por objetivo preparar o caminho do Senhor (Is 40:3), diante de uma geração orgulhosa e cheia de si mesma, a voz do que clama no deserto diz “(...) toda a carne é erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; (...) seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40:6,8). Então o discípulo amado começa o seu evangelho falando desta palavra eterna, o logos, o verbo (João 1:1).
 Logo no versículo seis do capítulo primeiro de João ele já fala deste grande homem de Deus, João Batista. No mesmo capítulo o evangelista relata que muitos vêm perguntar quem este era, a resposta é clara “Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (João 1:23). João Batista veio com a missão de testificar a respeito da luz (João 1:7-8), ou seja, pregar para aquele povo orgulhoso, que não reconheciam seus pecados, já que estavam cheios de si mesmos, que a salvação é chegada e o machado já estava na raiz (Lucas 3:9).


 Aquele que prepara o caminho do Senhor
 João Batista preparou o caminho testificando que Cristo é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). Além disso, dois dos discípulos de João Batista se tornaram discípulos de Cristo, isso mostra que a missão deste homem de Deus era preparar discípulos para o Cristo (João 1:37-38).
 Destes dois discípulos um foi João o autor do evangelho, e creio que este começou seu evangelho falando de Jesus, e em seguida de João Batista pelo fato de seu ministério começar por João Batista, mas com o intuito de ser preparado para uma missão maior, a de servir aquele que é antes de João, a saber, Jesus (João 1:30). Desde o começo de seu ministério o discípulo amado não sita o seu nome, mas temos a prova de que ele era discípulo de João Batista quando lemos a mesma narrativa em Marcos 1:19 onde João é mencionado sendo um dos primeiros a serem chamados por Jesus.
Este discípulo de João Batista passa agora a ser aluno do Mestre Jesus. O evangelho de Marcos 1:19-20 diz que João estava no barco concertando as redes e Jesus simplesmente o chamou e sem questionamento João abre mão de sua vida e segue o Cristo.
 Ao lermos, pode ser que este fato nos assuste, pelo motivo de não haver nenhum processo antes do chamado. O intuito do evangelho de João é extremamente complementar a este chamado, já que ele explica o que aconteceu antes daquele encontro de Jesus com os quatro pescadores. O relato de que estes homens simples e “iletrados” seguiram o Cristo pelo testemunho de João Batista.


João Creu que Jesus Cristo é o Filho de Deus
 O Intuito de João em escrever o seu Evangelho é de que todos creiam que Jesus Cristo é o Filho de Deus (João 20:29). O mais sublime desta declaração é que o próprio discípulo passou a crer em Jesus pelo testemunho de que Ele é o Filho de Deus (Jo 1:34).
 A ênfase de que Jesus é o Filho de Deus se dá por todo o seu Evangelho, isso para que, assim como ele, todos creiam que Jesus é o Filho de Deus. A acusação que condenou Jesus é que Ele dizia ser o Filho de Deus (Jo 10:36).
 Depois de soltarem um salteador no lugar de Jesus, depois de açoitado e humilhado com uma coroa de espinho. Os principais sacerdotes falam a sua acusação perante Pilatos: “Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus”. (João 19:7).
 O discípulo que o seguia crendo no Filho de Deus, agora vê o seu mestre ser acusado de “se chamar” O Filho de Deus. O que torna o relato mais profundo, pois quando o acusam de se “fazer” Filho de Deus Jesus é acusado de ser usurpador, ou seja, dizer ser quem Ele não era, quando na verdade o discípulo relata a condenação de Jesus para que todos creiam que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Desde o começo de seu evangelho Jesus já foi nomeado Filho de Deus. É como se o discípulo preparasse o leitor para que este chegasse ao fim do evangelho e dissesse: “Condenaram o verdadeiro Filho de Deus”.


Conclusão
 O evangelho começa pela eternidade de Jesus dizendo que antes de tudo ser criado Ele estava com o Pai. Depois João segue a Cristo pelo testemunho de que Ele é o Filho de Deus e dentro deste mesmo testemunho João quer que todos creiam que Jesus é o Filho de Deus.


João 17:1-3

“Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sermão #17 Vitória pela Cruz



Sermão #17
Vitória pela Cruz
Por Leandro Boer

“Despojando as autoridades e poderes malignos, [Jesus Cristo] os expôs publicamente ao desprezo, triunfando sobre todos eles na cruz.”
(Colossenses 2:15)

Introdução

   Existem três tipos de explicações da Cruz: O objetivo, o subjetivo e o clássico. Nesta mensagem, vamos nos concentrar no conceito clássico, da vitória conquistada na cruz por Cristo e pela vitória estendida ao seu povo, tentando trazer um equilíbrio, pois nas mensagens anteriores nos atentamos para as visões objetivas e subjetivas, que acertadamente são mais enfatizadas para proclamar a mensagem de cruz.

As Três visões teológicas sobre a Cruz

A cruz de Cristo é explicada teologicamente através de três visões principais: no conceito “objetivo”, foi “de si para si” onde Deus satisfez a si mesmo, pagando o preço pelo pecado e salvando pecadores através do seu sacrifício. Este conceito foi defendido por Anselmo e pela igreja reformada. No conceito “subjetivo”, foi “de si para o homem” onde Ele nos inspira, retirando a culpa e revelando a si mesmo com seu santo amor provado por sua morte. Este conceito foi defendido por Abelardo e é defendido por boa parte da igreja atual. Por fim, no conceito “clássico”, mostra-se uma “guerra” onde Jesus vence o diabo garantindo a conquista sobre a morte e sobre todos os poderes do mal, sendo esse conceito defendido por Irineu, Agostinho e pela igreja primitiva. Assim, o Senhor Jesus Cristo é sucessivamente, o Salvador, o Mestre e o Vencedor, pois nós somos os culpados, alienados e cativos, em 1 Coríntios 1:30, Paulo apresenta esse “triplice cordão” apresentando Cristo sendo feito “justificação, santificação e redenção” por nós, referindo-se aos aspectos “satisfacionário”, “regenerador” e “vitorioso” da obra de Cristo, apontando que esses conceitos devem ser como três lentes sobrepostas criando uma visão harmônica onde a diferença principal está nos alvos da cruz: Deus, o homem e o diabo.
  

A vitória de Cristo

   A pregação dos dias atuais é sobre um evangelho triunfalista onde o homem é colocado no centro e lhe é prometido alcançar a “vitória”, até mesmo sobre pessoas que seriam inimigos, mas se refletirmos na palavra chegaremos a um único e real inimigo, o diabo, e existe apenas um Vencedor, Jesus Cristo; mas como enxergar vitória naquele que foi rejeitado pela sua própria nação, naquele que foi traído, negado e abandonado pelos seus discípulos e foi executado brutalmente na forma mais humilhante possível?
   Ao olhar para Ele pregado em uma cruz, despido de sua liberdade, preso e impotente, parece ser a derrota total, contudo a realidade é o oposto das aparências, o que parece a derrota do bem é na verdade a derrota do mal, a vítima era o vencedor e a cruz ainda é o trono da qual Ele governa o universo. Jesus venceu e triunfou, e isso o fez pela cruz. Era comum no vocabulário da igreja primitiva, palavras referentes a vitória, conquista e triunfo, e não apenas falavam mas cantavam “somos mais que vencedores”. Diziam “graças a Deus que nos dá a vitória” e “Deus em Cristo nos conduz em triunfo”.
O novo testamento é claro ao mostrar essa vitória contra todos os principados e potestades. Mas devemos ressaltar que atualmente existe uma certa fascinação, principalmente entre os jovens, pelo ocultismo, algo totalmente contrário em relação a pregação da igreja primitiva, onde existia até certo pavor em relação a demônios e feitiçaria. Por outro lado a modernidade criou certa incredulidade em relação as atividades demoníacas, logicamente não devemos nos preocupar excessivamente com o mal, mas o ceticismo é um dos objetivos do diabo.
    Mas como se realizou a vitória de Cristo sobre todo o mal? Embora a vitória decisiva tenha se  dado na cruz, as escrituras apresentam o desenvolvimento desta conquista, em seis etapas, conforme apontou John Sttot em seu livro “A cruz de Cristo”:

O prenúncio da vitória

   Em Gênesis 3:15, Deus disse a serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, a semente da mulher é identificada como sendo o Messias;  Jesus disse que Ele era o grão de trigo que deveria morrer para gerar muitos frutos; Eva representa a igreja do velho testamento e a serpente é o próprio diabo. Nesta profecia, conhecida com “proto-evangelho”, uma cena é apresentada: os dois seriam feridos; em algumas traduções existe o termo “esmagar” para a ferida na cabeça, mas o original apresenta termos iguais, é utilizado o termo “shuf”, que significa “bater com violência”. Em um mesmo momento, a serpente atacaria e feriria o calcanhar do Messias, isto é claramente para mim, representado no momento em que Cristo  teve seus pés perfurados e pregados na cruz, neste momento Satanás pensou que havia vencido, o que ele não imaginava é que quando Cristo foi ferido na cruz, o profeta Isaías diz que “Ele foi ferido de Deus” (Is 53;4). E que nesta mesma cruz, onde parecia ser o palco de sua derrota, Cristo literalmente “esmagou” a cabeça da serpente, ferindo-a mortalmente.

O início da vitória

   Ao reconhecer seu futuro conquistador, Satanás se empenhou por eliminá-lo, como vemos no caso do assassinato das crianças em Belém, ordenado por Herodes, vemos a tentação sofrida por Jesus durante 40 dias no deserto logo após iniciar seu ministério, a ideia implantada de um messias politico-militar. Jesus repreendendo Pedro acerca da necessidade de seu sofrimento e a traição de Judas que literalmente fora usado por satanás. Embora o inimigo tenha se levantado contra Jesus. Podemos vê-lo retroceder a medida que os demônios reconhecem o senhorio de Cristo e são expulsos, pessoas são curadas de suas enfermidades, e quando os discípulos voltam de uma missão emocionados por terem expulsado os demônios, Jesus declara que tinha visto Satanás “caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10:18). Apontando para sua derrota certa, e declara ainda que  Satanás era valente, mas quando um mais valente que ele o vencesse, “tiraria suas armas e dividiria seus despojos” (Lc 11:22). Indicando a libertação dos seus escravos pelo mais valente, o próprio Jesus Cristo.

A realização da vitória

   No evangelho de João, o Senhor Jesus afirma por três vezes que o diabo seria julgado e expulso e isso se realizaria através da cruz, através de sua morte Ele destruiria “aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”. Assim libertaria os cativos (Hb 2:14-15), mas talvez a passagem  mais importante do novo testamento, que apresenta a vitória do Messias, seja Colossenses 2:13-15, onde Paulo mostra Cristo, não apenas cancelando nossa dívida, mas também destruindo o documento na qual ela estava registrada. É bom deixar claro que Paulo considerava a lei “santa, justa e boa” (Rm 7:12), portanto esse escrito de dívida não era a lei em si, mas a lei “quebrada”. Isto é a lista que Satanás se utilizava com nossos delitos e quebra de mandamentos para nos acusar. Paulo apresenta então o perdão de nossos pecados e depois mostra a conquista contra os poderes malignos, dando a entender, que na cruz Jesus enfrentou uma batalha cósmica. Na qual os poderes das trevas o cercou e o atacou. Podemos ver isso no Getsemâni (Lc 22:53), mas Jesus resistiu firmemente indo até o fim (Fl 2:8). Ele desarmou o diabo, pois sua arma contra nós era a dívida que Jesus pagou, nisto consistiu a vitória sobre o inimigo e a libertação dos cativos.

A confirmação da vitória

   Muitos enxergam que a vitória não se deu na cruz, mas na ressurreição de Jesus Cristo. Essa visão não é correta, pois a vitória foi concretizada na cruz e na ressurreição, já que essa vitória é proclamada e aquele domingo de manhã foi anunciada a conquista: “Ele ressuscitou”. A cruz e a ressurreição devem andar juntas (Ap 1:18), pois a vitória é completa quando ambas são efetivadas, mas a palavra é clara ao declarar que não foi mediante a ressurreição, mas mediante a morte de Jesus que nossos pecados foram desfeitos, a eficácia salvadora está na cruz de Cristo (1 Co 1:18).

A extensão da vitória

   A missão da igreja, é pregar o evangelho no poder do Espírito Santo, pregar a Cristo como  Senhor, e este crucificado! Convocando o povo a se arrepender e crer nEle, e ao anunciar a vitória na cruz, os cativos são libertos, salvos pela graça mediante a fé, levados “das trevas para a luz” (At 26:18). Seria impossível por nós mesmos, lutarmos e derrotarmos o diabo. Isto agora é até desnecessário por que Cristo já o fez na cruz, portanto a vitória dos cristãos consiste em entrarem na vitória de Cristo e desfrutarem dos seus benefícios. Deus nos dá a vitória por meio de Jesus Cristo que morreu na cruz, mas ressuscitou e se assentou à direita do Pai e com Ele somos ressuscitados para nos assentar com Ele nos lugares celestiais.
Com Ele somos livres e reinamos, porém o inimigo se enfureceu ainda mais com o golpe fatal sofrido, e “anda rugindo como um leão procurando alguém a quem possa tragar” (1 Pe 5:8).
   O apóstolo João afirma que “o Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo” (1 Jo 3:8), e segundo os escritores do novo testamento, essas obras são: a lei, a carne, o mundo e a morte, quatro tiranias onde a lei escravizava, a carne dominava, o mundo enganava e a morte reinava. A "antiga era" foi inaugurada em Adão, e Cristo vem para inaugurar uma "era" caracterizada pela graça e não pela lei, pelo Espirito e não pela carne, pela vontade de Deus e não pelas modas do mundo, pela vida abundante e não pela morte!

A consumação da vitória

    No livro de Apocalipse, uma das palavras de maior ocorrência é o termo grego “nike”, que significa “vitória”; no mundo antigo, Nike era a deusa da guerra, e neste livro profético João se refere a Cristo como “nikon”, o grande vencedor, sendo este título transferido a todos os guerreiros cristãos.
   O centro do livro; segundo Andrew Murray em seu livro “O poder do sangue”; parece ser o capítulo 12, onde é mostrado uma mulher grávida que está prestes a dar a luz ao que claramente é o messias. Essa mulher então representa a igreja do velho testamento de quem o messias precedeu. Surge então um dragão identificado como “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás”, sua calda “arrasta uma terça parte das estrelas do céu”, que no caso são os anjos caídos, e atacam a mulher para devorar seu filho. Identificado como um rei que é arrebatado para o trono de Deus, a mulher foge para o deserto, apontando a igreja sendo provada e preservada. Logo ocorre uma guerra no céu onde o dragão e seus anjos são derrotados, e o dragão é atirado na terra, e destronado das regiões celestiais. Pois Satanás tinha acesso as reuniões celestiais como vemos no livro de Jó, onde ele acusa Deus de não saber governar sobre o homem, o vemos com poder, mesmo que limitado pela permissão e soberania divina; mas ele foi destronado pela morte Cristo na cruz, com sua vitória e ascensão (Jo 12:31). Satanás então reage, levantando um império na terra conhecido como “roma e babilônia”, perseguindo e enganando as nações, principalmente a igreja de Cristo. Realizando alianças, através de figuras representadas como “a besta, o falso profeta e a grande meretriz”. Que farão guerra contra o Cordeiro, mas serão destruidos ao fim, dando inicio a um novo tempo e a uma nova terra. Resumindo, a trajetória de Satanás é de quedas consecutivas, primeiro do céu antes da criação, depois das regiões celestiais, um nivel abaixo, quando Jesus o vence pela cruz e o destrona, agora Satanás opera na esfera terrena e por fim será lançado no mais profundo abismo. Ao contrário de Cristo e sua igreja, que são exaltados “de glória em glória”.

 Mas como podemos vencer aqui e agora com Cristo?

“Resistindo ao diabo” (Tg 4:7), “não dando lugar ao diabo” (Ef 4:27), “Proclamando o evangelho de Jesus Cristo, convertendo pessoas das trevas para a luz” (At 26:18). Satanás agora sabe que a cruz é o meio usado por Deus para vencê-lo, então lutará para nos afastar da cruz a todo custo, ele está como um dragão irado, “sabendo que lhe falta pouco tempo” (Ap 12:12). Portanto “revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef 6:11). Vamos lutar contra todos os principados e potestades do mal, usando as armaduras espirituais que Deus nos concede para essa guerra e “o Deus da paz, esmagará Satanás debaixo dos vossos pés”(Rm 16:20).
    Para mim, a cena mais linda do Apocalipse é o casamento de Cristo com sua prometida e amada esposa, a noiva do Cordeiro. Adornada perante seu noivo, essa noiva é a igreja triunfante, que venceu “POR CAUSA DO SANGUE DO CORDEIRO” (Ap 12:11), vertido naquela cruz.

Conclusão


   Olhamos com expectativa para a consumação dessa conquista, Jesus venceu e reina, mas ainda aguarda até que seus inimigos sejam postos como estrado dos seus pés, e nesse dia todo joelho se dobrará e toda a língua confessará que Ele é o Senhor. Então o diabo será lançado definitivamente no lago de fogo, onde a morte e o inferno o seguirão.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Sermão #16 Grande é o Mistério da Piedade


















Sermão #16
Grande é o Mistério da Piedade
Por Rafael Henrique

Texto Base 1 Timóteo 3:16
“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.”


Introdução
 Sem duvidas Jesus é aquele que veio para manifestar o amor do Pai a humanidade, além disso, Ele nos ensinou a amar a Deus, neste texto vamos aprender que Jesus cumpriu o maior mandamento a saber o mandamento do amor.


Piedade
  Neste texto o apostolo Paulo esta ensinando Timóteo “como convém andar na casa de Deus” (1 Tm 3:15), e então ele enfatiza que “sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade”, ou seja Paulo tem a plena certeza de que a piedade é um grande mistério, para entendermos melhor este texto faz-se necessário saber o que é piedade. Vamos lá?


 Piedade quer dizer devoção, amor fervoroso e reverência, este termo é empregado somente com relação a Deus, ou seja, é o meu amor em resposta ao amor de Deus, é um amor “infantil”, por assim dizer, aquele que não precisa de respostas, ou explicações, é um amor que está acima da religião, vamos para um exemplo claro. O Amor piedoso é quando eu me santifico por amor a Deus, e não porque tenho que pregar, ou estou esperando uma “grande vitória” e devo permanecer firme, mas depois de recebê-la ou de pregar não busco mais a Deus, pois o meu amor era por interesse, portanto piedade é o meu amor em resposta ao amor de Deus, não por religiosidade, ou por interesse, mas pelo desejo de ser intimo de Deus.


 O antônimo de piedade é impiedade, muitos dizem que o ímpio é, somente, aquele que não acredita em Deus, ou não vai à igreja, porém o ímpio é aquele que não é piedoso, ou seja, alguém pode ser até mesmo um líder na igreja, mas se este não é devoto, temente e não tem uma vida de oração e busca a Deus por piedade, ele é ímpio, já que não é piedoso, isso é questão de lógica.


Mistério
 Para uma exposição melhor do texto que diz “(...) grande é o mistério da piedade (...)”, vamos entender o que é mistério. A palavra mistério quer dizer que algo está em oculto, ou é um segredo de alguém, este segredo está acima da percepção humana, pois é um segredo de Deus, e se Deus esconde algo, ninguém pode descobrir. Este mistério, ou segredo de Deus esteve oculto desde os tempos eternos, “(...) a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto (...)” (Romanos 16:25), se este segredo esteve em oculto desde os tempos eternos, nem os anjos sabiam e nem qualquer ser que está nas regiões celestiais, nem mesmo satanás e seus demônios sabiam este mistério.



“O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;” (Colossenses 1:26), Este segredo de Deus estava oculto desde todos os séculos e gerações, nenhum homem, nem mesmo os mais santos, sabiam deste segredo de Deus de forma plena, eles viam como sombra, mas não sabiam este segredo de Deus, já que, como disse, são imperceptíveis aos olhos humanos, por isso eles alcançaram pela fé, e isso é um amor piedoso, pois eles creram sem ver. Diante disso, mistério é um segredo de Deus que esteve oculto desde os tempos eternos, até todos os séculos e gerações.


 A Revelação do Mistério
  No Texto base desta exposição de 1 Tm 3:16 diz  “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: (...)”, nos apresenta dois pontos depois da palavra piedade, esta pontuação significa que o autor está prestes a esclarecer o que ele falou antes, ou seja, a grosso modo, este sinal de pontuação significa que o mistério da piedade foi revelado, concordando com outros textos como: Colossenses 1:26, “O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;”, o mais extraordinário é que este mistério é a revelação de Cristo, “O verbo que se fez carne”, por isso o autor continua depois da pontuação “Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.”


 Cristo se fez carne
A primeira afirmação depois dos dois pontos é que Cristo se fez carne, e este é o mistério que esteve oculto desde a eternidade e em todos os séculos e gerações, em Isaías 9:6 traz a profecia deste acontecimento imensurável, “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”


 Ele se fez carne para manifestar a piedade, o amor a Deus, porque a principal motivação da missão de Jesus é mostrar que Ele ama o Pai, mostrar verdadeiramente o que é piedade, “Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.” (João 14:31) Jesus se entregou, acima de tudo, porque Ele ama o Pai e lhe obedece, antes de amar a nós Ele amou o Pai, isso é a manifestação do mistério da piedade em que Cristo morreu primeiramente e acima de tudo para mostrar que ama o Pai “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.” (Dt 6:5) este foi o mandamento que Cristo obedecia.


 Justificado no Espírito
Jesus foi teve a confirmação do Espírito Santo de que Ele era filho de Deus, não para Ele mesmo, mas para todos que cressem Nele, em Romanos 1:4 diz: “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,”, também em Mateus 3:16-17 o Espírito desce sobre Jesus em forma de pomba e aquele era um sinal para João Batista que aquele homem era verdadeiramente o filho de Deus, até hoje o Espírito Santo tem a missão de nos revelar que Cristo é o Filho de Deus, por isso ele foi justificado no Espírito.

Visto dos Anjos
Em Lucas 2:8-15 mostra a celebração dos anjos com o nascimento do salvador, eles diziam: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.” (Lucas 2:14), os Anjos estavam contemplando o mistério que estava escondido desde a eternidade e que agora se manifestava diante de seus olhos o segredo de Deus, a saber o Deus que se fez carne.


Pregado aos gentios, crido no mundo
 Ele é o cumprimento da promessa feita a Abraão de que todas as noções seriam benditas em Cristo, manifestando o seu amor aos gentios e lhes dando a oportunidade de amarem ao Deus verdadeiro, por isso além dEle amar a Deus Ele nos amou, por conta disso Ele é crido no mundo como o salvador daqueles que não merecem, Jesus ensinou que Amar a Deus primeiramente e amar ao próximo como a ti mesmo dependia toda a Lei e profeta (Mt 22:40), por isso ele é a manifestação do mistério da piedade, pois naquela cultura a Lei e os profetas estavam acima do amor, e agora vem o dono da Lei e diz que o amor não só vem antes, como toda a profecia e lei depende do amor, ou seja sem amor a lei e as profecias seriam vãs, por isso Jesus usa uma palavra muito forte: “depende”, dizendo que os dois estão na dependência do amor.
 Jesus cumpriu a missão por amor ao Pai e a nós, venceu a morte e foi recebido na glória por seu Pai.


Conclusão
Em 1 Tm 4:7-8 diz: “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade; Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” Diante deste mistério que foi revelado nó recebemos a reconciliação com Deus e devemos buscar acima de tudo amar a Deus, levar uma vida piedosa, assim como Jesus, já que devemos ser imitadores de Cristo, portanto devemos andar em santidade, jejuar, orar e buscar a Deus sem interesses próprios, mas única e exclusivamente por Piedade. Amor A Deus.